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quinta-feira, 16 de agosto de 2012 0 comentários

Guerra de Canudos


No dia 28-07-12, nosso professor de história, André, levou nossa turma do 3° ano do Centro Educacional Elo a um passeio em Canudos. Saímos daqui as 8 h e chegando lá conhecemos um pouco da Guerra de Canudos ocorrida no local.
Antônio Conselheiro nasceu em Quixeramobim em 1830 e ficou conhecido como o líder da Guerra de Canudos. Ele acreditava que havia sido enviado por Deus para acabar com as diferenças sociais e também com os pecados republicanos, entre estes, estava à cobrança de impostos e a volta da monarquia, por esse motivo saia pelas ruas pregando a palavra de Deus e assim conseguiu vários seguidores os quais acreditavam que poderiam ser libertados da situação de extrema pobreza na qual se encontravam. Sendo assim, não agradou muito as autoridades do local e em Outubro de 1896 ocorreu o primeiro passo para que a Guerra de Canudos acontecesse, Antônio Conselheiro havia encomendado uma quantidade de madeira, vinda de Juazeiro, para a construção da igreja nova, mas a madeira não foi entregue, embora tenha sido paga. Surgiram então algumas conversas de que os conselheiristas iriam buscar a madeira à força, o que levou as autoridades de Juazeiro a enviar um pedido de assistência ao governo estadual baiano, que manda um destacamento policial, logo após eles vão em direção a Canudos, mas a tropa é surpreendida em Uauá pelos seguidores de Antônio Conselheiro e assim houve uma quantidade maior de mortes dos conselheiristas do que do exército. O tempo foi passando e os sertanejos reforçavam os acessos ao arraial, no dia 18 de Janeiro de 1897 a segunda expedição atacou Canudos, mas foram repelidos pelos jagunços que se abasteciam com as armas abandonadas ou tomadas da tropa, eles mostravam muita coragem e habilidade militar. Em março de 1897 a terceira expedição invadiu o arraial sendo chefiada pelo coronel Antônio Moreira César que morreu no combate, deixando sua tropa desfavorecida e derrotada. A quarta e ultima expedição foi de abril até outubro de 1897, eles atacaram o arraial várias vezes, mas, os conselheiristas permaneceram firmes na batalha e após alguns conflitos a tropa conseguiu fechar o cerco sobre o arraial que existiu até o inicio de outubro. Antônio Conselheiro morreu em 22 de setembro, supostamente em decorrência de uma disenteria. Foi um longo período de guerra que ficou conhecido como um dos maiores crimes já praticados em território brasileiro.
Durante o passeio feito a Canudos analisamos o local em que ocorreram as batalhas, visitamos um pequeno museu que possuía alguns pertences dos jagunços e fomos também a outro museu que guardava muitas recordações de uma época tão sofrida pelos nordestinos. Conhecemos um local que tem uma enorme estátua de Antônio Conselheiro e vimos o açude, enfim passeamos um pouco pela Guerra ocorrida no amado Belo Monte de Antônio Conselheiro e no final da tarde voltamos para nossas casas.
sexta-feira, 18 de maio de 2012 1 comentários

Massacará, um lugar cheio de encanto e magia!

No dia 05-05-12, nosso professor de história, André, levou a turma do 3° ano do Centro Educacional Elo, a um passeio em destino ao Massacará, fomos com o objetivo de conhecer um pouco da cultura indígena dos índios Kaimbés, que moram próximo ao nosso município de Euclides da Cunha.

Marcamos para sair daqui às 7:30, mas devido a alguns atrasos saímos às 8:30. Tudo estava dando certo, até chegarmos ao povoado de Nova Trindade onde o pneu do nosso ônibus furou e teve que ser trocado, isso levou alguns minutos, atrasando um pouco a nossa viagem. Finalmente chegamos ao Massacará, e fomos levados por dois índios ao Centro Cultural, eles haviam saído daqui com a gente. Ao chegar ao centro, fomos bem recebidos e logo após chegou Evangelista, filho do Cacique Juvenal. Ele nos contou um pouco de como eles viviam lá, dizendo que muitas pessoas chegavam achando que eles viviam nus, pintados e que moravam em ocas. Mostrou-nos que não era bem assim, que eles eram índios e que se vestiam normais, mas os seus costumes permaneciam os mesmos dentro de cada um, falou também que se vestiam e pintavam nas festas que eles realizavam, que faziam uma bebida própria que era a Jurema e que caçavam preás e pássaros para comer, não retiravam nada além do necessário para sobreviver da natureza. Evangelista nos disse que a Aldeia dos Índios Kaimbés é a mais antiga de todo o Nordeste e que em 1938 foi declarada como terra indígena, nos explicou o significado dos nomes Kaimbé e Massacará. Kaimbé é devido ao Imbé que eles utilizavam então ficou conhecido como Kaimbé, e Massacará era uma massa que eles usavam a qual tinham que buscá-la, então o nome Massacará. Contou-nos também algumas lendas, como a do Bicho da Lagoa seca, da Serpente e do Deus Tupã. A lenda da serpente diz que uma enorme serpente vive debaixo da terra, onde sua cabeça se localiza exatamente nos pés da santa, a qual se retirada acordará a serpente causando um enorme estrago em toda a aldeia. A lenda do Deus Tupã, diz em um certo dia um pai saiu para caçar com seu filho, cada um foi para um lado, e o menino ouviu algo se mexer atrás de uma moita, sem hesitar pegou o arco e a fecha e atirou, o Deus colocou a mão na frente para se defender e o garoto percebeu que não era nenhum bicho e começou a chamar seu pai, quando ele chegou disse para o menino que ali era o seu Deus Tupã e foram correndo chamar os outros da tribo para verem, chegando lá o Deus continuava no mesmo lugar, então eles pegaram-no e levaram para a aldeia, mas no outro dia a imagem do Deus Tupã voltava para o mesmo lugar, as tentativas de manter Tupã na aldeia foram muitas, até colocaram em um baú com chaves e cadeados, mas não adiantava a imagem sempre voltava para o mesmo lugar onde havia sido encontrado, foi quando eles tiveram a idéia de construir uma igreja no lugar onde Deus Tupã havia sido encontrado, assim a imagem não iria precisar sair mais do lugar. Ele nos disse que houve 3 conflitos para a conquista do território, alguns índios saíram machucados mas eles conseguiram a vitória. Passados alguns minutos cacique Juvenal chegou e começou a nos contar um pouco de sua vida, nos disse que tinham mais dois caciques na tribo, mas eles viviam em harmonia e faziam festas juntos. Contou-nos também dos coronéis que tentaram tomar a posse de suas terras, inúmeras vezes, como, José Américo e Alexandrino Dias Guimarães. Disse-nos que eles não falavam nenhuma outra língua além do português, mas que estavam tentando recuperá-la. Contou-nos que uma vez uns fazendeiros desejavam a posse de um rio que pertenciam ao seu território, em troca eles iriam receber 7 cabeças de gado. Pensaram bem e decidiram aceitar o acordo, no outro dia chegou a cabeça de um animal, eles trataram e comeram, logo após foram chegando sucessivas cabeças até completarem as 7. Depois que as cabeças pararam de chegar, eles foram atrás dos fazendeiros para saber quando iriam receber os animais prometidos, foi quando o fazendeiro disse que já havia mandado as cabeças. Os índios ficaram muito decepcionados e depois de muito tempo conseguiram reaver a posse de sua terra. Falou-nos um pouco da Funai, programa de proteção para os índios. Depois de contadas as histórias alguns índios se vestiram e dançaram o Toré, dança típica deles, onde possuem o hábito de fumar antes de dançar, participamos da dança, foi muito legal e divertido.

Já passava do meio dia e fomos almoçar, logo após visitamos um local onde tem algumas ocas abertas, lá eles fazem as suas comemorações, dançam, se divertem e bebem a Jurema, somente eles participam desse ritual e essa bebida pode mexer um pouco com o estado de espírito da pessoa. Depois fomos para a Igreja, subimos uma serra e chegando lá em cima a vista era muito bonita e a igreja também, ela foi construída em 1689 e até hoje é preservada pelos índios da região, no seu interior encontramos alguns túmulos de pessoas ricas daquele tempo. Fomos ver a pedra do consolo, onde diz à lenda que está o rabo da serpente, um lugar alto e bastante bonito, tiramos várias fotos. Logo após, fomos à fazenda Ilha, onde fica o rio dos índios, percorremos 5 km de ônibus e 1 km andando, mas valeu à pena, pois a água era muito limpa e parecia mineral. Um índio nos contou que um dia, uma mulher da tribo veio lavar roupa e tomar banho, ao ir embora ela esqueceu seu pente e voltou para pega-lo, ao chegar tinha outra mulher sentada em uma pedra penteando seus cabelos, ela correu e não voltou mais. Para finalizar fomos ao artesanato, eles vendiam cocás, brincos, chocalhos, arco e fecha, tiramos fotos, nos despedimos dos índios e do cacique e infelizmente vinhemos embora.

O passeio foi ótimo, nos divertimos bastante além de conhecer mais sobre a cultura dos índios, um povo muito sofrido e escravizado, mas que até hoje vive levando em seus corações o legado deixado por seus antepassados. Porque afinal índio é isso, ter orgulho de sua história e levá-la sempre em qualquer lugar.
 
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